quarta-feira, 23 de julho de 2008

Profundo céu cristalino


E a ansiedade manifesta-se. O poder de querer é mais forte que o de desejar. E lá estás tu. Sempre lá. Fico a observar-te cuidadosamente como uma criança que suspira por um brinquedo na montra. O meu estômago enche-se de borboletas desorientadas ao mesmo tempo que tento controlar todos os meus sentidos. Tenho os olhos a brilhar, mas ninguém repara no evidente. Estão todos ocupados de mais a esconder as cicatrizes invisíveis, o medo da imperfeição e do engano. E eu continuo. A leve brisa e o cheiro a liberdade transmitem-me coragem para avançar. Mas agora não. Ainda não me sinto preparada. Percorre-me o corpo a insegurança, o receio de ir e ter de voltar. As diferentes texturas tocam-me a sola dos pés carinhosamente, ao mesmo ritmo que transmitem para o meu cérebro informações de calor. Semelhante a uma paixão. E avanço sozinha, não quero saber do que me rodeia, nem do sol que me encandeia o rosto, o que realmente me interessa naquele momento é saber que estou imune de qualquer obrigação. Acelero o passo e para trás despeço-me das pegadas, estou mais próxima e cada vez mais indefesa, partes-me o coração em saber que do outro lado do mundo castigas as pessoas, eu apenas aproveito a tua boa vontade, a tua tranquilidade. Por fim paro. Delicio-me com a tua calma e tu aproximas-te, arrepio-me com o teu toque gélido na sola dos pés. Conseguiste provocar um sorriso discreto. E é então que decido entregar-me por completo à tua imensidão e por vastos segundos desapareço, algures sinto a tua delicadeza, não o sei explicar, simplesmente fugi. É perfeito e tão valioso. Sei que quando regressar tudo mudou outra vez e isso desperta-me um nó na garganta, não hesito então a voltar pois sei que a coragem vale por tudo, liberto uma respiração lamentável e retorno à existência. Sinto-me insignificante mas reconheço que naquelas momentos limpaste-me a alma das impurezas da humanidade. E o caminho que percorri, percorro-o de volta, e após atravessar as pegadas passadas, sento-me e permaneço pacífica. As horas passam e quando dou por mim afinal nada mudou, acolá oiço alguém a gritar “Vamos outra vez à água Joana?”, e o sorriso discreto volta mais uma vez a ser provocado.

3 comentários:

Anónimo disse...

Que texto tao bonito! :')

Lúcia disse...

Eu percebi =)

Anónimo disse...

gostei tanto to teu texto xuu :)

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beijinho